DIÁLOGO “A responsabilidade dos Jornalistas e as Eleições”Por Suzie Marra
outubro 2008
O papel do jornalista e a missão de informar exercem, de uma maneira geral, um poder muito grande na formação de opinião das pessoas e acabam por influenciar atitudes e tomadas de decisões políticas devido ao amplo acesso às fontes de informação e a interação com os meios de comunicação. Quando de maneira responsável, esse papel pode promover a justiça e romper com a indignação ou o desolamento das pessoas diante dos fatos comunicados pela imprensa na Mídia. Portanto, no mundo todo, um número cada vez maior de jornalistas reflete e age sob um novo modo de fazer individual ou em grupo: eles tentam se (re)apropriar da responsabilidade da sua função e da matriz dos seus questionamentos éticos. Dessa maneira, as ações com base na responsabilidade dos jornalistas tornam-se fundamentais na prática diária do jornalismo. Isto porque o princípio de responsabilidade individual induz e reconhece novas formas de atuação que bem poderão influenciar os três principais atores da Informação: os jornalistas, as empresas jornalísticas e a sociedade. E, é diante desse cenário que a Aliança Internacional de Jornalistas no Brasil, ou simplesmente J-Aliança, atua e pretende influir com o propósito de trabalhar a responsabilidade dos jornalistas a favor de uma “I n f o r m ç ã o R e s p o n s á v e l” por meio de três dinâmicas básicas: 1) promover o diálogo entre os diversos públicos ou atores principais 2) alertar para o impacto das notícias na sociedade 3) provocar a reflexão dos geradores de informações. Coerente com a sua proposta, a Aliança Internacional de Jornalistas - convidou para um Diálogo sobre "A responsabilidade dos Jornalistas e as eleições" alguns nomes que, cada um a seu modo de atuação, experiência e vivência profissional pudesse participar e deixar registrada suas idéias como um depoimento para outros jornalistas profissionais, estudantes de jornalismo, pós-graduandos e, demais públicos interessados. Foi tomado como exemplo o Caso do Movimento Nossa São Paulo que tem produzido material de qualidade como fonte de informação jornalística gerado pela sociedade civil organizada. Pensando nesse publico e, sobretudo, na formação dos jornalistas e cursos de jornalismo o DIÁLOGO foi gravado no SESC Vila Mariana em São Paulo e gerou um DVD que se encontra disponível para venda nas Livrarias da Vila em São Paulo e no Instituto Ágora com versões gratuitas para internet e TV. A TVi de Itapetininga, região de Sorocaba/ SP deverá (re)transmitir via internet e incluir na programação da TV o Diálogo “ A responsabilidade dos Jornalistas e as Eleições” com chamadas através do programa Berlinda, na mesma emissora, sob o comando de Hélio Rubens de Arruda Miranda - coordenador do pólo regional da Aliança Internacional de Jornalistas – Brasil. DIÁLOGO Os convidados: Antonio Martins do Le Monde Diplomatique, no Brasil; Florestan Fernandes Jr. Da TV Brasil; Guto Camargo do Sindicato dos Jornalistas do Estado de SP; Hélio Rubens de Arruda Miranda do Pólo Regional da J-Aliança – Sorocaba; Isis de Palma coordenadora geral da Aliança Internacional de Jornalistas – Brasil; Luanda Nera do Movimento Nossa São Paulo e; Verônica Goyzueta da ACE- Associação dos Correspondentes Estrangeiros. A seguir alguns assuntos abordados pelos participantes: Antonio Martins – falou sobre a falta de cobertura de outros fatos além daqueles que são tidos como principais ou em que toda a imprensa se dedica. Em outras palavras, do espaço que está em aberto para jornalistas e editores atentos que querem romper com a tendência do automatismo na cobertura dos mesmos fatos e lançar um outro olhar para potenciais aspectos e matérias. Especificamente, sobre o processo eleitoral e como mediador; “Felizmente a crítica da mídia é um processo que vem se espalhando nas sociedades, especialmente na sociedade brasileira, talvez pela própria difusão de um outro tipo de mídia, a mídia mais participativa que se expressa nos blogs, que se expressa por uma série de instrumentos aos quais pessoas como nós que estamos neste debate, podemos ter acesso, não somente as emissoras, as publicações e seus jornalistas. Nós acompanhamos em eleições anteriores, por exemplo, que houve tentativas de manipulações de determinados fatos relacionados às eleições que foram respondidas mais ou menos instantaneamente por uma rede muito grande de pessoas que sendo ou não jornalistas tinham acesso à internet e podiam comunicar uma visão distinta daquela visão que não estavam sendo comunicadas pelas grandes televisões ou jornais. O objetivo neste debate é discutir especificamente como os meios de comunicação destacam ou ocultam uma outra forma de política que também é crescente. São as formas de políticas não só representativas. Formas de ação que acreditam que a mudança do mundo ou a discussão sobre os rumos do mundo não é feita simplesmente nas instituições, não é feita simplesmente nos parlamentos, não é feita apenas nos governos, mas é feita por ações transformadoras, desencadeadas todos os dias pela sociedade”. Florestan Fernandes Jr. – nos contou sobre suas experiências “Eu tenho uma experiência em cobertura de eleições que vêm desde da época do fim do Regime Militar, tenho também, uma experiência como “marketeiro” político. Eu tenho uma visão dos dois lados do que ocorre nas campanhas eleitorais no Brasil. O que eu vi como repórter e como “marketeiro” é muito ruim. A manipulação da informação tanto por parte de grande imprensa como por parte do marketing nas campanhas. Fico até estarrecido ao lembrar que em uma campanha recente uma das maiores redes de televisão do país colocou no ar um editorial escrito por um marketeiro que trabalhava comigo. Editorial encomendado pela equipe de campanha. Foi lido pelo âncora do jornal. Por aí vocês têm uma noção de como a imprensa é manipulada e fecha acordo político que não interessam à população e ao país.Ocorre que a população parece que está vacinada com relação à campanha eleitoral. Hoje os programas eleitorais não têm tanto impacto como tinham no passado. As técnicas de marketing, de convencimento ainda funcionam, mas não da maneira como funcionava no passado. Hoje os marketeiros trabalham muito mais com os breaks da programação do que com aquele horário maior, onde o próprio eleitor costuma sair da sala, desligar o aparelho ou fazer outra atividade. Eles centram quase toda sua ação nestes pequenos programas que pegam a pessoa desapercebida e têm um poder maior. Eu fiz campanhas na capital e no interior de São Paulo. No interior a coisa é de um nível terrível, os pequenos jornais e as rádios locais trabalham para grupos políticos. Eles fazem o “denuncismo”, utilizam as primeiras páginas para denunciar o candidato como se estivesse fazendo jornalismo, mas na realidade esta fazendo o trabalho de base para a campanha do candidato que eles apóiam”. Guto Camargo – mostrou a relevância do Sindicato como um mediador entre patrões e profissionais do jornalismo. Teoria e prática da responsabilidade de imprensa. Hélio Rubens – tocou no ponto da nova Lei que começou a vigorar, nestas eleições, para todos do setor. O que mudou como os meios de comunicação reagiram e qual foi a posição do jornalistas – que, em sua grande maioria ou na maioria dos casos, mais parecem ter ficados rendidos. Isis de Palma – salientou a importância da responsabilidade individual e o papel da Aliança Internacional de Jornalistas nesse processo como um instrumento de apoio, união e fomento para aqueles que querem mudar diante do que parece imutável. Luanda Nera - expôs uma nova fonte ( de informações). Como jornalista da área de comunicação auxiliou inúmeros jornalistas a realizar matérias com os dados de pesquisas, indicadores e análises que foram disponibilizados via internet e em cadernos impressos. Confira as informações que podem ser obtidas no site do Movimento Nossa São Paulo: www.nossasaopaulo.org.br Verônica Goyzueta - além de fazer alguns paralelos entre o processo de eleição no Brasil e em outros países como por exemplo nos EUA, tocou em um ponto, chave, sobre a responsabilidade na cobertura das eleições; que é o de que uma mídia responsável deve analisar antes de dar voz a “todos”. Um fenômeno que inibiria/ inibe os “plantadores de notícias” que agem em benefício próprio. Finalizando, a Aliança Internacional de Jornalistas agradece a todos os participantes, jornalistas profissionais, estudantes de jornalismo e ao público, ao mesmo que adianta o convite para o próximo Diálogo J-Aliança. navigation dans Artigos dos colaboradores :
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